O Sabor da Poesia

V.
abro as portas ao inefável,
ao secreto desconhecimento de mim mesmo,
como se apenas ao deus fosse permitido
conhecer,
e também (des)conhecer, saber silenciar
a treva e erigi-la no alto da cabeça.
se amasse, não saberia o deus como
conhecer todas as coisas, nem silenciar
a treva, saindo do seu corpo fogo e luz,
como para apagar as estrelas.
se amasse, seria como um anjo enorme,
que (des)conhecia o próprio conhecimento,
como se o acto de conhecer fosse apenas a
palavra, o dizer aos homens e aos peixes.
Não digo do amor
pois apenas no nevoeiro o pressinto.
Jorge Vicente