O Sabor da Poesia
| A dança de pedra do camaleão (1º volume - Os escolhidos ; 2º volume - Os guardiães dos mortos) PINTO, Ricardo Date: 2003 — â¬14,96 — Book Rating: |
Ricardo Pinto é apelidado como o novo Tolkien português. Nasceu em Portugal, mas partiu com 6 anos
para a Inglaterra, com a família. Cursou Matemática na Universidade de Dundee e passou 10 anos da sua
vida a programar jogos de computador, facto que iria ser decisivo para o gosto dos ambientes fantásticos
e virtuais. Neste momento, vive em Edimburgo, na Escócia, vivendo exclusivamente da escrita.
Os seus livros são apaixonantes, visionários, bastante bem escritos e poéticos, revelando um grande
talento narrativo. A sua visão transporta-nos para um mundo dominado por uma casta dominante, os
Mestres, que dominam o mundo conhecido através do seu poder e da sua violência. As leis dos Mestres
são implacáveis, quase fazendo lembrar as atrocidades cometidas por alguns dos imperadores romanos,
que se consideravam a si próprios deuses e senhores da Terra. O herói principal da trama, Carnelian, é
também ele um Mestre, mas as suas atitudes não o fazem parecer como tal. Generoso, afável, mesericordioso,
é a antítese de todos os outros, excepto do seu pai, Sardian Suth, chefe da casa Suth.
No 1º livro, Os escolhidos, narra-se o regresso de Sardian Suth e de Carnelian à Montanha Sagrada, Osrakum,
onde residem a maior parte dos Mestres. É uma viragem para o jovem Carnelian, habituado a conviver de
perto com a criadagem e com os seus homens, longe do ambiente tenebroso do mundo dos Mestres. As
atrocidades cometidas são relatadas com grande realismo e beleza, fazendo com que o livro se afaste das
habituais narrativas fantásticas, muitas vezes pensadas para leitores mais jovens e sem grandes profundidades
literárias. Este é um pouco diferente.
No 2º livro, assiste-se ao exílio de Carnelian para o Céu da Terra, onde vivem os Homens das Planícies,
organizados de um modo completamente diferente dos Mestres, a quem odeiam. Carnelian é adoptado
por uma tribo e aí fica permanecendo até que os acontecimentos mudam... Não foi só ele que foi exilado,
mas também um outro Mestre amigo dele. Mas os Mestres da Montanha não são humanos nem praticam
a humanidade... O resto fica para depois...
A tradução é muito bela. Muitas vezes, somos assaltados pela descrição da vida dos Homens das
Planícies à medida que a alva se aproxima, as suas paixões, os seus desejos, as suas ambições...
Muitos dos meus poemas foram escritos enquanto estava a ler o livro nas horas vagas de comboio,
enquanto tentava espairecer da violência das aulas. Nunca se deve estudar no comboio, apenas ler
a beleza da alva que nos acompanha ao longo dos carris....
Jorge Vicente