O Sabor da Poesia

IV
minhas mãos: todo o descampado
era o que estava debaixo de mim
soterrado pelas unhas como um
noivo acabado de falecer como uma
rocha sedosa, sem história sem memória
sem a música dos coretos sem o cante
ao longe sem o castelo sem a voz firme
de um pássaro azul.
os meus olhos: do precipício, diviso um
ponto negro. duas ilhas dois poemas numa ilha
todos os homens são ilhas e o meu amor por
ti rompe todo o mar dos açores e cai na lenta
afluência do alentejo.
Jorge Vicente