O Sabor da Poesia

(quadro de Paul Delaroche - "The Young Martyr)
XXXII
AS DUAS IRMÃS
as duas irmãs pereceram
como trevas presas à noite
entoando os seus cabelos
e sacrificando o hino ao vestido
de seda branca, que usam os
neófitos quando se precipitam
na ribeira alta,
sob nenhum olhar e sem pronunciarem
a estrela d'alva.
desenho um quadro em que os homens
são guerreiros das giestas,
o passo largo dos deuses que dorme
perante o sangue. só a esteva
se ilumina e morre da madrugada do
mundo.
as duas irmãs morrem apenas. e deixam
o país das uvas. em que a terra
é um líquido mudo, que engana a flor
e a deixa sem rosto. retiras os lábios
dos lábios da gazela e o teu castelo
vai-se quebrando, sob uma lua
de olhos brilhantes. e com o crepitar
do fogo como único brilho.
matinas.
Jorge Vicente
Passo a dizer Bom-dia, a desejar Bom Natal e que o teu blogue continue a
fornecer-nos boa poesia -gosto mais quando em portugu~es, como esta - dadas
as minhas dificuldades com o inglês...Beijinhos, amigo!
Amélia