O Sabor da Poesia
Poderei amar-te num tempo não propício,
Poderei amar-te em recolhimento, em silêncio, oferecendo
O meu corpo como holocausto.
Poderei amar-te de noite, com a candeia acesa,
Com uma vela branca ao pé da janela e com
Um lenço pousado nos joelhos.
Poderei amar-te todas as meias-noites, dia após dia,
Ano após anos, silenciando-me e silenciando-te a ti
Como uma treva.
Poderei amar-te como uma flama ardente, jamais perecível,
Levantada pelos ventos e iluminada de soslaio pelo Sol.
Poderei amar-te e gritar incessantemente por mais amor,
Oferecer-te uma rosa ao pequeno-almoço
E juntar todas as pétalas caídas no chão
E daí preparar uma refeição magnífica.
Poderá o meu amor ser avesso a prodígios, a milagres.
Cessam-me todas as palavras quando o dia se transforma em
Noite,
O prazer em vida, o sexo em algo mais transcendente.
Não sei do sol fazer chuva, da aurora tempestade,
Do ferro seco e duro Ouro,
Da morte vida nem de Deus o Diabo.
Poderei amar-te como o sol ama a lua, como a aurora ama a
Manhã, como o Céu ama a sua pomba.
Mas, prefiro amar-te apenas pelo sorriso que carregas sempre
Que os nossos olhos se juntam, cada dia pela manhã.
Jorge Vicente
Gostei muito deste teu poema, Jorge.Beijo por ele.
Amélia Pais [amelia.pais@netcabo.pt]
É um poema do meu primeiro livro: o www.3poetasemleiria.pt. E continua a
ser um poema muito especial para mim.