O Sabor da Poesia
amoralva

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"Brothers Under the Bridge" (Bruce Springsteen)

Friday, 21 September 2007 3:48 P GMT+01

 (photograph from Lee Friedlander, "New Mexico", 2001)

"Saigon, it was all gone
The same Coke machines
As the streets I grew on
Down in a mesquite canyon
We come walking along the ridge
Me and the brothers under the bridge

Campsite's an hour's walk from the nearest road to town
Up here there's too much brush and canyon
For the CHP choppers to touch down
Ain't lookin' for nothin', just wanna live
Me and the brothers under the bridge
Come the Santa Ana's, man, that dry brush'll light
Billy Devon got burned up in his own campfire one winter night
We buried his body in the white stone high up along the ridge
Me and the brothers under the bridge

Had enough of town and the street life
Over nothing you end up on the wrong end of someone's knife
Now I don't want no trouble
And I ain't got none to give
Me and the brothers under the bridge

I come home in '72
You were just a beautiul light
In your mama's dark eyes of blue
I stood down on the tarmac, I was just a kid
Me and the brothers under the bridge

Come Veterans' Day I sat in the stands in my dress blues
I held your mother's hand
When they passed with the red, white and blue"

Bruce Springsteen

(taken from the CD 18 Tracks, from 1999)

Jalâluddîn Rumi

Monday, 3 September 2007 1:21 P GMT+01

 

(photo by Jean Ferro, Lewis: 1st Street and Temple, Downtown Los Angeles, s/d)


"Using the stone of the philosopher to convert copper into gold is indeed wonderful.
More wonderful still is the fact that, moment by moment, the philosopher's stone (man) is converted into copper - by his own heedlessness"1

Jalâluddîn Rumi (1207-1273)

1 poem taken from the CD of Martin Simpson & Wu Man, Music for the Motherless Child.

Vishwa Mohan Bhatt/Jerry Douglas (Bourbon & Rosewater)

Tuesday, 14 August 2007 10:31 P GMT+01

 

(photo by Marco Barsanti)

"No wine glasses here, but wine is handed round.
No smoke, but burning.
Listen to the unstruck sounds.
and what sifts through that music".1

Jelaluddin Rumi (1207-1273)

1 RUMI, Jelaluddin taken from the CD Bourbon & Rosewater, from Vishwa Mohan Bhatt and Jerry Douglas.

One more time, Vishwa Mohan Bhatt recorded a masterpiece. After listening to his album Saltanah, I decided to listen to his Bourbon & Rosewater, recorded by him and bluegrass virtuoso Jerry Douglas. One more time, a beautiful piece of music by world music label Water Lily Acoustics. Their project of joining two or more musical traditions together is a wonderful idea and, in this case, the results are very good. Kavichandran Alexander, the producer, had always the dream of joining classical indian music with bluegrass. The result is this CD.

Jorge Vicente

Vishwa Mohan Bhatt here
Jerry Douglas here

A Gypsy Carol

Monday, 6 August 2007 12:28 A GMT+01

 

(photo from Paul Banner, Opera 2, s/d)

"What are you seeking, you seven pretty maids,
all under the Leaves of Life?
We are searching for no leaves, Thomas,
but for a friend of thine"1

A gypsy carol


taken from the CD Kambara Music in Native Tongues, by Martin Simpson/David Hidalgo/Viji Krishnan/Puvalur Srinivasan

St. John of the Cross

Sunday, 5 August 2007 11:44 P GMT+01

 

(photo from  Brian Arnold, #4 Letters, 2005)



"La bianca palomica
al arca con el ramo se ha tornado;
y ya la tortolica
al socio deseado
en las riberas verdes ha hallado"1

St. John of the Cross (1542-1591)

taken from the CD of Kambara Music in Native Tongues, from Martin Simpson/David Hidalgo/Viji Krishnan/Puvalur Srinivasan

Kavichandran Alexander

Sunday, 5 August 2007 11:28 P GMT+01

 

(photo taken from Patti Ambrogi, From the series - The Nature of Culture; Freeing Female Representation, Can She Take Her Tail Off, 1992)




"To the body's ark the heavenly dove descends
across the still ocean of Oneness
hearing the flower of spring.
The turtledove at long last the beloved meets
by the verdant river of life"

Kavichandran Alexander´

Kavichandran is a musician and producer of recording label Water Lily Acoustics

taken from the CD Kambara Music in Native Tongues, from Martin Simpson/David Hidalgo/Viji Krishnan/Puvalur Srinivasan

O Sadismo Segundo o Marquês de Sade

posted Wednesday, 14 March 2007

 

 (fotografia de Marilyn Minter, "Manicure", 2002)

 

O que será o sadismo? Libertação? Desolação? Comentem.

"O duque pretendeu no decurso da ceia sustentar que, se a felicidade consistia na integral satisfação de todos os sentidos, era difícil eles serem mais felizes do que eram.

- Tais propósitos não são de libertino - disse Durcet. - Como é que podeis ser felizes podendo, como podeis, encontrar a satisfação a qualquer hora? Não é no gozo que reside a felicidade, mas sim no desejo e no quebrar dos freios que a esse desejo se opõem. Ora, será que encontramos isso aqui, onde temos tudo o que desejamos? Juro que desde que para aqui vim, nem uma única vez a esporra me jorrou movida pelos objectos que aqui se encontram. Todas as vezes que me vim foi graças a objectos ausentes; e além disso - continuou o financeiro - falta aqui, a meu ver, uma coisa essencial à nossa felicidade. É o prazer da comparação, prazer que tem de nascer do espectáculo dos infelizes e que por nós aqui não lobrigamos. É vendo aquele que não goza daquilo que eu gozo, é vendo aquele que sofre, que nasce o encanto de se poder afirmar: sou mais feliz do que ele; onde os homens forem todos iguais e onde não existirem diferenças, não existirá felicidade alguma. É a mesma história do homem que só sabe o preço da saúde quando se encontra doente.

- Nesse caso - disse o bispo - será que encontrareis real prazer em contemplar as lágrimas daqueles a quem a miséria aflige?

- Certamente - respondeu Durcet - não deve haver mais sensual volúpia do que essa de que falais.

- Mas, sem os consolardes? - perguntou o bispo cuja vontade era levar Durcet a alongar-se sobre um capítulo de todos muito apreciado, e que se sabia ele ser capaz de tratar muito a fundo.

- Que quereis dizer com consolar? - replica Durcet. - A volúpia, que em meu entender nasce da doce comparação entre o estado desses e o meu, deixaria de existir se eu os consolasse, pois, tirando-os desse modo do seu estado de miséria, fá-los-ia saborear momentos de ventura que os tornaria semelhantes a mim, e acabaria totalmente com o prazer da comparação.

- Bom, então. - disse o duque -, sendo assim, seria necessário, de qualquer das maneiras, para melhor discernir essa diferença essencial à felicidade, seria necessário, dizia eu, agravar ainda mais a sua situação.

- Disso não há dúvida nenhuma - disse Durcet - e isso explica as infâmias que durante toda a minha vida me censuraram. Os que não conhecem as minhas razões chamam-me duro, feroz e bárbaro, mas eu, escarnecendo de todas as denominações, segui sempre o meu caminho, cometendo, concordo, aquilo a que os parvos chamam atrocidades, mas ao mesmo tempo conseguindo prazeres de deliciosas comparações e era feliz. (...)

- Quase sempre trouxe, mas muitas das vezes procedi assim só pela maldade que quase sempre desperta em mim os órgãos da lubricidade; o mal enche-me de tesão, encontro no mal o assaz picante atractivo que faz despertar em mim todas as sensações do prazer, a ele me entrego só com vista nele próprio, sem outro interesse que não seja ele e só ele. (...)

- Certo é - disse o duque que começava a ter a cabeça incendiada, enquanto ia fazendo festas a Zéfiro - que o crime tem suficiente encanto para, por si só, abrasar todos os sentidos, sem haver necessidade de se recorrer a qualquer outro expediente, e ninguém como eu compreende que, mesmo que não tenham qualquer parecença com a libertinagem, os mais capazes de motivar tesão são os actos criminosos. Eu que vos falo, senti já tesão por roubar, por assassinar, por incendiar, e estou perfeitamente convencido que não é o objecto da libertinagem que nos excita mas sim a ideia do mal e que, por consequência, é mercê do mal que ganhamos tesão e não mercê do objecto, de tal guisa que, se esse objecto fosse privado da possibilidade  de nos levar a praticar o mal, não nos provocaria qualquer tesão"1

MARQUÊS DE SADE (1740-1814)

1 SADE, Marquês de - Os Cento e Vinte Dias de Sodoma. 1ª edição. Lisboa: Antígona, 2000. ISBN 972-608-115-7. pg 215-217.

 




1. alice left...
Thursday, 15 March 2007 12:20 am

querido jorge. lamento ser a primeira a comentar. espero que outros se sigam. estes texto está magnificamente ilustrado. e o mais importante: o motivo pelo qual o publicaste. tenho orgulho em ser tua amiga. um abraço


2. kevin g left...
Thursday, 15 March 2007 2:29 am :: http://missedexit.blog-city.com

As with the Marquês de Sade, what is depravity, could be someone's bread & butter, right? Not mine though.