O Sabor da Poesia

"Oh, a galante vida da Corte, onde tantas são as possibilidades de contentamento, como se na Terra estivesse o Paraíso do Mundo: a majestade do soberano, a soberania do Conselho, a honra dos Lords, a beleza das Ladies, a atenção dos oficiais, a cortesia dos cavalheiros, os serviços dignos da manhã e do anoitecer, os discursos espirituosos, cultos, nobres e agradáveis que se ouvem todo o dia, a variedade de espíritos e a profundeza dos juízos, os delicados manjares, suavemente preparados e habilmente servidos, os vinhos delicados e as frutas raras, com excelente música e vozes adoráveis, mascaradas e dramas, danças e cavalgadas; diversidade de caças, deliciosa para os propósitos do caçador; e charadas, perguntas e respostas; poemas, histórias e estranhas invenções de engenho, para espantar o cérebro de bons entendimentos; baixela rica, jóias preciosas, delicadas proporções a altos espíritos, carruagens principescas, cavalos magníficos, edificações reais e arquitetura rara, doces criaturas e prazer civil; e na corte amorosa essa carruagem do contentamento de tal forma põe o espírito no regaço do prazer, que, se eu fosse fazer dele o elogio todo o dia, pouco haveria dito quando chegasse a noite"
BRETON, Nicholas apud MUMFORD, Lewis - A Cidade na História: suas origens, transformações e perspectivas. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 408.