O Sabor da Poesia
(imagem de um filme de Tacita Dean, "Boots", 2003)
uma linha. duas. o choro. a tentativa de choro. esquecer-me que sou uma linha misturada numa infinidade de outras. o rebento.
descobrir um aglomerado de frases numa única sílaba. o requiem. a canção dos mortos. o estremecimento dos vivos quando me deixo escrever. a mão esquerda.
o coração entre as palavras
o embrião
a palavra nascida
do ventre
o risco
a serpente no início do corpo
a origem
o sentido que não passa por mim,
mas que é em mim
nos cantos da casa
o anjo
Jorge Vicente1
1 Este poema foi baseado num exercício que fiz sexta-feira à noite. Ele consistia em desenharmos algo com a nossa mão não dominante, no meu caso, a mão esquerda. Tudo ao som de música (cantos tibetanos ou gregoriana) e com os olhos fechados. No final do exercício, deveríamos descrever a nossa experiência através de palavras. Eu apenas escrevi um poema
Duarte Lobo foi um compositor português do século XVII. A obra que acompanhou o meu exercício foi o Requiem.
querido jorge. nunca chames exercício ao puro manifesto da arte. um grande
beijinho, meu amigo.
Avancemos com o amor
Having been on crutches when I blew out my right knee, I empathize with the
photo.