O Sabor da Poesia

REGRESSO
"Todas as vezes que regresso ao lugar onde nasci
sinto descolorida e feia aquela terra. E nem o
mar a salva. Nem a minha pele onde se inscrevem
nomes e Tempo. Nada
É uma culpa como Aleluia.
De todas as vezes que dela me aparto admito que
apesar de monótona, é nela que se renova a medula
do espírito
É de uma beleza sem consolo.
Sempre que regresso as mulheres de negro emocionam-me,
quando parto elas vêm lembrar que as árvores não morreram
Sempre voltarei ao lugar onde nasci. Mesmo que as velhas
tenham morrido, sejam outras as árvores ou da casa de
meus pais não se veja mais o mar. Sou eu a decidir
É esse o consolo maior. É esse o modo de me redimir."1
IVO MACHADO
1 MACHADO, Ivo - Verbo Possível. Matosinhos: Triunvirato, 2006.
P.S. Este poema não está conforme a edição original do poema. Retirei o poema de uma revista açoriana que li, também ela não seguindo a forma original do poema, devido ao formato das páginas.