O Sabor da Poesia

XLIV
ENTREGA
nada mais resta do que o país
dos meus amigos, da poesia
declarada e do silêncio sempre
reconfortante
do quarto sempre às escuras.
entrego-me a ti como se eros fosse
uma divindade judaico-cristã e
fosse esse o destino do apocalipse
das aves.
o apóstolo sai das páginas de um missal
forrado a pele e destrói zeus com os seus
olhos brilhantes.
toda a religião castigada
eros às escuras não admite
mais que o silêncio.
Jorge Vicente