O Sabor da Poesia

VII
há uma sagrada melancolia
na praia ao fim da tarde,
antes que o verão roube as
gaivotas e as viole no seu
calor de aves.
há essa melancolia e esse fim
de tarde. esse quadro que qualquer
pintor desejaria pintar, sem a
confusão das cidades grandes,
em que a tarde se mistura com
a tarde de outras cidades e
deixe de se recriar como
elemento natural do cosmos.
há esse pintor e essa praia.
há a tinta que é a tinta do
seu quadro. há a arte e há o
momento, uma certeza fotográfica
de que o amor nunca fica e só
através do quadro se eterniza e
se consome.
há dois amantes que, parados, ficam
adormecidos perante a água. é deles
o fim da tarde e é deles a água. e
são deles as gaivotas que, em círculo,
se esquecem de que o calor é apenas
o calor dos seus corpos desenhando
a melancolia da areia.
Jorge Vicente
Desafio: quais as suas manias mais particulares, ou menos comuns? Aceite o
desafio em: http://www.bairrodoamor.blog-city.com/manias_1.htm
Adorei o poema...Sereno e de uma descrição poderosa, é como uma fotografia
:)
bjs*fica bem