O Sabor da Poesia

A COTOVIA
"Parei vindo de Espanha,
no alto de Leomil,
lá onde da Península
os ventos se entrechocam,
e com os mesmos gestos,
enchi de gasolina o depósito;
a chave, o tampão, a mangueira,
a seiva de florestas mortas
vendida pela British Petroleum
gorgolejava em números;
e ao pé dos camiões Tir
junto da IP5,
no que sobrou de um campo,
ouvi a cotovia.
Sozinha entre pardais,
não cantava: era um grito de outono,
e gritava e corria,
e os pardais esvoaçavam.
Os gestos repetidos do trabalho
negavam o meu outro olhar
distraído naquela imagem.
Partiu a cotovia
e a estrada levou-me para longe"
NUNO DEMPSTER1
(http://musas_esqueleticas.weblog.com.pt/)
1 DEMPSTER, Nuhttp://musas_esqueleticas.weblog.com.pt/no - A Cotovia. in Quatro Poetas da Net. 1ª ed. Maia: Edições Sete Sílabas, 2002. p. 51 ISBN 972-95731-7-4
Jortge, venho agradecer-lhe tardiamente a gentileza da publicação do meu
poema. Um grande abraço.